Transparência

A Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE) recebeu, na terça-feira (17), dois dos mais renomados especialistas britânicos em compliance e investigação de corrupção corporativa: os advogados Edward Jenkins e Duncan Stuart Grieve. Eles participaram do seminário ‘Implementação de sistemas de compliance’, promovido pelo Consulado Britânico de Belo Horizonte em parceria com a EMGE, a Escola Superior Dom Helder Câmara e o escritório Aroeira Salles Advogados.

Presente à abertura do evento, o professor Paulo Stumpf destacou a alegria em sediar importante debate e colocou-se à disposição para novas parecerias. “A Escola de Engenharia nasce com o compromisso de busca permanente pela excelência, o que implica em uma relação constante com a sociedade e com as instâncias que a representam. Está também atenta à internacionalização. Dessa forma, acolhemos com grande alegria o presente seminário”, afirmou Paulo Stumpf, que é reitor da Dom Helder Câmara e representou, na ocasião, o professor Franclim Brito, reitor da EMGE.

Compliance

Também presente ao evento, o cônsul geral do Reino Unido em Belo Horizonte, Thomas Nemes, ressaltou a importância do tema, principalmente neste momento em que o Brasil enfrenta dificuldades econômicas e políticas. “Compliance é o assunto da transparência e deve ser priorizado se quisermos estimular novos investimentos e expandir a cooperação”, afirmou.

Segundo o cônsul, o Reino Unido já desenvolve diálogos positivos com o governo brasileiro na área de transparência. Um exemplo é o lançamento do Guia de Dados Abertos, realizado na terça-feira (17), em São Paulo, com a participação do ministro britânico de Comércio e Investimentos, Lord Francis Maude. O objetivo é estabelecer um melhor ambiente de negócios no Estado com base na promoção da transparência, abertura de dados governamentais e aplicação da Lei Anticorrupção. “É uma iniciativa de destaque, que desejo trazer para Minas Gerais”, apontou.

Palestras

Antes das palestras de Edward Jenkins e Duncan Stuart, o professor José Antônio de Souza Neto, coordenador do curso de Engenharia Civil da EMGE, realizou breve introdução sobre o tema. Segundo ele, os sistemas de compliance são fundamentais para atrair empresas estrangeiras para o país.

“Não podemos esquecer que quase 80% das empresas alegadamente envolvidas e investigadas pela Lava Jato são da área de infraestrutura. A grande questão é: como as empresas estrangeiras teriam condições de vir ao Brasil e efetivamente competir? Como realizar investimentos se não há compliance?”, questionou. O professor lembrou ainda que sem investimentos não há geração de empregos, o que reduz o consumo. “Entramos em um ciclo vicioso”, completou.

O advogado Edward Jenkins, por sua vez, destacou que os sistemas de compliance não se limitam ao combate de fraudes e corrupção. Eles têm relação com diversas áreas, como tributação, segurança de produtos e crimes ambientais. “É um sistema de ética que certifica que a empresa está agindo para cumprir a lei. (…) O desastre em Mariana, por exemplo: quanto irá custar à Vale? Já passou da hora das empresas brasileiras gerirem seus negócios de maneira mais segura e adequada”, afirmou.

O evento prosseguiu com palestra de Duncan Stuart Grieve e debate com o público presente.