Aula magna com Mário Sergio Cortella enaltece o protagonismo discente

Mário Sergio Cortella durante sua palestra (Dom Helder / EMGE)

O protagonismo discente apontado por Mário Sergio Cortella como um dos grandes pilares da educação foi um dos assuntos abordados na aula magna de abertura do ano acadêmico de 2021 da Dom Helder e da EMGE, realizada nesta sexta-feira (12). O professor e filósofo foi o convidado de honra para apresentar o tema “Educação e a emergência de múltiplos paradigmas: novos tempos, novas atitudes” em uma live transmitida pela Plataforma Teams.

A aula teve início com a fala do reitor da Dom Helder, Paulo Umberto Stumpf SJ, que deu as boas-vindas aos estudantes para o ano letivo, e exaltou o trabalho do corpo docente das instituições. “O reconhecimento de qualidade científica em pesquisa, ensino e extensão de nossas instituições tem sido fruto de um grande esforço e seriedade técnica de nossos professores e estudantes, aliados à uma gestão que procura sempre conciliar eficiência com humanismo”, pontuou o reitor.

Também desejando boas-vindas à comunidade acadêmica, o reitor da EMGE, Franclim Sobral de Brito, refletiu sobre o momento de desafios que estamos enfrentando. “Novos tempos exigem de nós novas reflexões, que poderão ensejar novas atitudes. Acreditamos que este percurso é possível a partir de nosso modo de proceder fundado na Pedagogia Inaciana da Rede Jesuíta de Educação, da qual somos parte, com ênfase no Magis Inaciano, núcleo inspirador de todas as nossas ações”, discursou o reitor da EMGE.

Múltiplos paradigmas

Reflexões em tom otimista marcaram a palestra de Mário Sergio Cortella, que levantou questões sobre como podemos encarar nossos desafios, especialmente na educação nos novos tempos. Citou seu livro “Não nascemos prontos”, que se contrapõe à ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica. Segundo o professor, na verdade, as pessoas nascem não-prontas, e quanto mais vivem, mais prontas ficam. Cortella citou esse pensamento para refletirmos sobre a educação na nossa formação. “Eu sou professor há 47 anos, isso significa que eu atuo na formação de pessoas e tenho uma nítida ideia de que preciso atuar sempre na minha formação. Afinal, nós não nascemos prontos”, explicou o professor.

Cortella também falou sobre como é importante enxergarmos que os momentos difíceis podem ser uma grande fonte de aprendizado. “Uma das coisas mais marcantes da inteligência é a possibilidade de olhar a nossa volta e entender que momentos graves, como o que estamos vivendo, são também momentos grávidos, isto é, podem dar a luz para uma nova situação, contêm dentro de si uma possibilidade de alternativa, a possibilidade de que dali se tire algo que seja positivo, benéfico para cada um e para todas as pessoas”, discursou.

Um dos pontos-chave da palestra foi construído por Cortella ao evidenciar e exaltar o protagonismo discente, base para conquistas acadêmicas e um dos pilares da Pedagogia Inaciana, metodologia adotada pela Dom Helder e EMGE. “No campo da educação escolar, o mundo hoje, digitalizado, exige muito maior protagonismo da estudante e do estudante. Não é mais um tempo que ficamos de modo passivo assistindo uma aula. Existe uma postura de audiência ativa, que participa e dá vida àquela aula”, explicou.

A aula magna foi encerrada com os agradecimentos do reitor Franclim Brito, que desejou pleno êxito a todos os estudantes, e declarou solenemente aberto o primeiro semestre acadêmico de 2021.

Carreira

Mário Sergio Cortella é professor, filósofo, escritor e palestrante. Escreveu diversos livros, entre os quais “Por que fazemos o que fazemos?”, em que analisa a vida profissional na contemporaneidade, e “Viver, a que se destina?”, em parceria com o historiador Leandro Karnal.

É doutor em educação pela PUC-SP, onde atua como professor. Cortella já foi diversas vezes premiado por suas contribuições na educação e na literatura, foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo nos anos de 1991 e 1992, e possui atualmente mais de 5 milhões de seguidores em suas redes sociais.