Visita a ETE Onça

 

– Por Tatiani Alves, estudante do 1º período de Engenharia Civil da EMGE

E mais uma vez a EMGE possibilitou maior aprendizado em campo, diferencial que faz de todos os alunos profissionais mais completos. Na última sexta, dia 26 de outubro, foi realizada uma visita técnica a ETE Onça, localizada no município de Santa Luzia, acompanhada pelo professor José Antônio.

A maioria da população não imagina a grandeza do processo passado pelo esgoto até que ele possa voltar para a natureza de modo a não degradar o meio ambiente. Tivemos a oportunidade de conhecer de perto este processo e hoje venho compartilhar um pouco dele com vocês.

A ETE Onça é responsável pelo tratamento do esgoto de aproximadamente um milhão de pessoas, possuindo cerca de 3.500 Km de rede coletora e despoluindo as águas da Bacia do Onça.

A visita se iniciou com uma palestra ministrada pelo funcionário Franklin, que explicou os objetivos da COPASA e o funcionamento da ETE em todas as etapas. Após a palestra, fomos convidados a conhecer o espaço, de modo a obter maior entendimento e observar de perto cada parte do tratamento.

A estação possui capacidade de tratar cerca de dois mil e quinhentos litros de água por segundo (2500 L/s) e em dias chuvosos, esse volume pode chegar a quatro mil litros por segundo (4000 L/s). Neste caso, uma das comportas é aberta para liberar o excesso e não impedir o tratamento adequado do esgoto já presente. Vale lembrar que a água da chuva deve ter como destino os lençóis freáticos ou os rios e seus afluentes, em momento algum essa água deve ser canalizada junto ao esgoto, mas muitas residências, até mesmo por falta de informação, acabam por dar esse destino inadequado.

Em seu tratamento, a ETE remove sólidos grosseiros, materiais dissolvidos e outras matérias presentes e prejudiciais para o ambiente. Este tratamento é feito em três etapas: tratamento preliminar, tratamento primário e tratamento secundário.

No tratamento preliminar são retidos os sólidos grosseiros, como garrafas PET, fraldas, preservativos e até feto humano (esses sólidos não teriam tal destinação se a população tivesse maior consciência e respeito com o ambiente). Cerca de 4,5 toneladas de sólidos são destinadas por dia para o aterro sanitário.

Figura 1. Tratamento primário do esgoto: retirada de sólidos grosseiros.

A fase primária é composta por reatores anaeróbios – tanques cheios de bactérias responsáveis por decompor os sólidos que passaram pela fase preliminar. Essas bactérias são conhecidas como anaeróbicas (vivem sem oxigênio) e se alimentam de parte da matéria orgânica, purificando o esgoto. O lodo que não foi digerido pelas bactérias é separado e levado a centrífuga. O material seco segue para o aterro e a água retirada volta ao início do tratamento. Esse processo gera o biogás, que é canalizado e queimado na ETE Onça. No caso da ETE Arrudas, este gás é reaproveitado gerando energia para o funcionamento da unidade.

Figura 2. Queima do biogás gerado no tratamento primário.

Após todo esse processo, finalmente chegamos à fase secundária, em que a água já com nível de 70% de limpeza chega ao filtro biológico. As bactérias aeróbicas eliminam as impurezas que as anaeróbicas não conseguiram remover. Tal processo se dá porque o lodo fixa-se nas britas e as bactérias podem atuar. No último passo do tratamento há os decantadores, onde a água circula lentamente e o lodo fixa-se no fundo do tanque.

Depois de todo esse processo, a água se encontra com 90% de limpeza e pode voltar ao ambiente para que todo o ciclo se repita. Vale lembrar que é essencial a contribuição da população para que o trabalho seja bem feito. Se houver o descarte adequado do lixo, esse processo acontece de forma mais eficaz, favorecendo a todos.