Minha Jornada ao Universo da Pesquisa Acadêmica

– Por Felipe Pereira Rosa, estudante do curso de Engenharia Civil da EMGE.

 

Em julho, tive a oportunidade de participar de um evento acadêmico fora da EMGE. Trata-se da 2ª  LITE  – Jornada de Linguagens, Tecnologia e Ensino, realizado na cidade de Timóteo – MG, numa parceria entre o CEFET-MG e a Fundação APERAM.  

Como toda jornada, a nossa começou pelos preparativos, pois, já no sábado dia 06, eu e meu amigo Rafael Furtado acordamos bem cedo (às 3h30m da manhã) e saímos de BH em direção ao campus do CEFET de Timóteo. Foi surpreendente como a viagem passou rápido, e com decorrer da aurora, vimos que aquelas quatro horas de estrada já tinham ficado para trás, pois estávamos conversando sobre as virtudes e as coisas boas que a vida tem para nos oferecer.

Quando chegamos em Timóteo, fomos surpreendidos pela beleza paisagística e pelo clima (mesmo no inverno, não era frio) e também pela estrutura do CEFET. No entanto, o nosso foco era que estávamos indo prestigiar ideias que influenciaram positivamente em nossa vida e, sobretudo, na nossa carreira.

A Jornada de Linguagens, Tecnologia e Ensino deste ano ampliou seus temas a fim de que pudéssemos refletir sobre a educação que desejamos para o nosso tempo, numa perspectiva mais ampla que trata “Práticas pedagógicas: cenários e tendências para a educação contemporânea”. Foram apresentadas: a conferência de abertura com a Profª. Elika Takimoto, quatro mesas redondas e 82 trabalhos organizados em 14 sessões de comunicação. Após o credenciamento, também realizado pela Fundação APERAM, participamos da mesa 1 que abordou o discurso sobre as “práticas educacionais e avaliação”. Nesta apresentação, o que me chamou atenção e, provavelmente de todos os ouvintes, foi o tema inovação. No intervalo, professores vieram conversar sobre a pergunta proposta por Rafael Furtado: “como é possível inovar e ao mesmo tempo quebrar a resistência dos próprios alunos que veem no modelo tradicional mais segurança e uma maior percepção de confiança?”. Na ocasião, os conferencistas responderam que a inovação precisa ser feita com cuidado, com base teórica forte e, com a certeza do que está sendo proposto. Sem esses requisitos, a inovação, tanto nas práticas pedagógicas quanto nas avaliações, pode criar descrédito do educador e da instituição.

Após a parada para o café, fomos para a sala no CEFET. Estávamos animados, pois chegaria a hora da sessão de comunicação (coordenada pela Profª Janaína de Assis) onde os participantes apresentariam suas pesquisas. A pesquisadora Verônica Lopes Pereira explorou o tema: “Análise do objeto de aprendizagem: geometria da cidade”, na perspectiva da teoria da aprendizagem significativa com o objetivo de apresentar algumas contribuições para o professor de matemática, inserido no processo de formação continuada. 

O professor de História do CEFET, Leandro Braga de Andrade, de Governador Valadares, por sua vez, trouxe um tema muito interessante a respeito de BH, pois quem não vive em nossa cidade enxerga Belo Horizonte com outros olhos (muito mais encantadores/impactante) e seu tema foi: “Imagens e olhares: um projeto de ensino sobre memória histórica, contrastes urbanos e exclusão social em BH”. E um trecho que ele escreveu que eu mais gostei foi: “Mesmo com as diversas modificações na paisagem urbana ao longo do tempo, a cidade ainda apresenta um perfil desigual e segregado, tanto social, quanto racialmente”.

Em seguida, o aluno do 6º período da EMGE, Rafael Furtado prosseguiu e apresentou o Relato de Experiência “Da Literatura à Engenharia: como o desenvolvimento das diferentes habilidades pode construir pontes entre as ciências exatas e humanas” demonstrando como as práticas educacionais inter, multi e transdisciplinares foram aplicadas na nossa faculdade nos primeiros períodos com resultados muito significativos para o corpo discente. Fizemos um projeto interdisciplinar de Português (Leitura e Produção de Textos) e Geometria Descritiva, no qual estudamos os textos literários de Rubem Braga fazendo um paralelo com o projeto arquitetônico de uma casa. Tudo foi novidade para nós, alunos da primeira turma da EMGE. Foi um desafio, conciliar a parte técnica com o Português para o memorial descritivo (tendo “amor com as palavras”, como a nossa Profª Cida Cota dizia). Esperávamos, para o curso de Engenharia Civil, quase sempre o raciocínio algébrico e fundamentos matemáticos. Entretanto, ao longo do semestre, houve entre nós a percepção da linguagem modelando os projetos de engenharia.

No segundo semestre, surgiu com louvor o desejo de registrar em um livro de crônicas as vivências do 1° ano de aniversário da EMGE (eu achava que não teria capacidade de agregar em nada, mas tive oportunidade de ilustrá-lo). O relato do Rafael foi justamente para mostrar que no 1° ano da EMGE obtivemos uma ideia inovadora, pois fez com que nós, alunos do curso de Engenharia Civil, produzíssemos textos literários contando nossas experiências.

Clara Reis e Millena Dánily, graduandas do curso de Letras, finalizaram as apresentações com o tema: “Vivências do projeto de Extensão ‘Nós e Arte’ em 2018”. Discutimos sobre todos os assuntos abordados e citamos a EMGE que, por ser uma escola jesuíta, acolhe os alunos sem preconceitos.

Depois de saborear um belo almoço acompanhado do Rafael e uma amiga que fizemos no encontro, a Profª e Pesquisadora Andreza Santos Xavier, retornamos ao evento, agora com a mesa 4 – “Práticas educacionais inter, multi e transdisciplinares” com diversas apresentações durante a tarde.

Aprendi que essas diferentes experiências de ensino e aprendizagem são importantes para nossa formação e que, durante a graduação, podemos escolher vários caminhos, dentre eles a nobre profissão de ser professor. Ressalto que depois de ler, na disciplina de Português alguns textos literários, tive contato com essa possibilidade de ver como a literatura e o cálculo influenciaram significativamente em minha vida acadêmica , despertando em mim a paixão pelo estudo que gera o prazer de sempre investigar mais a realidade para poder construir de melhor maneira meus conhecimentos, de tal forma que, no futuro, como docente, eu consiga formar com uma mente inovadora no ensino que favoreça a motivação e o aprendizado do aluno. Percebi que, portanto, neste congresso tive a oportunidade de conhecer pessoas que vivem em perspectivas distintas da minha, ter uma nova visão para ingressar na profissão de professor, e, talvez um dia eu mude a vida de alguém, da mesma forma que os meus mestres mudaram a minha!