Mães: fragilmente fortes e fortemente frágeis

A professora Maria Carolina Reis, da Dom Helder, preparou uma homenagem especial para o Dia das Mães, celebrado neste domingo (10). Confira:

 

Mães: fragilmente fortes e fortemente frágeis…

Por Maria Carolina Reis

Especialmente no Dia das Mães, somos chamadas de guerreiras, heroínas, fortalezas, porto seguro, super protetoras, anjos, mães especiais… No entanto, esse discurso social acaba por idealizar uma mãe que vai se cobrar o tempo inteiro para dar conta de tantos papéis e funções. E a sociedade e nem as mães permitem falhas.

Todos sabem que ser mãe envolve alegrias, sacrifícios, descobertas, falhas, cansaço, aprendizado, esforços, persistência, disciplina, muitas noites sem dormir, renovação das energias, dúvidas, gastos, ganhos e perdas, sensações ambíguas de dor e prazer… Mas, ainda sim, só vemos um lado.

Por isso, neste dia das mães, em tempos de pandemia (em que estamos experimentando mais intensamente a fragilidade da vida) gostaria, como filha e como mãe, de fazer um pedido:

Aos filhos, filhas e a toda a sociedade: assumam funções que a sociedade ‘determinou que são das mães’. Percebam o cansaço, a fragilidade e a solidão de tantas mães que tentam se fechar em ‘fortalezas’.

Às mães: não se cobrem tanto, respeitem seus limites, aceitem serem cuidadas… porque cada mãe é de um jeito e há…

Mães que não desistem dos seus filhos…

Mães que superam ou que se entregam a dor da perda de um filho…

Mães que fazem de tudo para cuidar dos seus filhos…

Mães que, corajosamente, deixam sua vida profissional para se dedicarem aos seus filhos…

Mães que se desdobram entre a vida profissional e a vida dos seus filhos…

Mães que têm dificuldades de aceitarem os seus filhos…

Mães que pesquisam, descobrem, aprendem…

Mães que sofrem, mas também se alegram…

Mães que cansam, sentem sono e vontade de ficar sozinha…

Mães que são também as avós, tias, madrinhas, primas, irmãs, amigas, colegas, médicas, cuidadoras, babás e professoras…

Mães que são resilientes com capacidade para lidar com diversas situações ao mesmo tempo…

Mães que, como eu, têm filhos “diferentes” e lutam por uma sociedade menos preconceituosa…

Mães que hoje têm de estar longe fisicamente, mas sempre por perto para nos acalmar…

Mães que hoje estão angustiadas, com medo, mas precisam seguir em frente…

Todas elas são fortemente frágeis e fragilmente fortes… E aí está toda a beleza de nossas mães!!!

CUIDEMOS todos com muito carinho de nossas mães.