CSI-EMGE promove primeiro debate sobre ética, responsabilidade e informação

Por Patrícia Almada

Conciliar ética com responsabilidade ambiental e usar a informação na engenharia. Este foi o tema do primeiro evento do Centro de Simulações e Intercâmbio (CSI-EMGE) promovido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais na tarde desta quarta-feira(27) no auditório da Instituição.

“O seminário Ética, informação e responsabilidade – Como evitar catástrofes ambientais e humanas” – teve a participação de Flávia Roxin Bretas, coordenadora da comissão de ética e conselheira da câmara especializada de Engenharia Civil do CREA-MG, João Augusto Hilário presidente da ASSEMG, coordenador da CEGM, conselheiro e membro da COTC do CREA-MG e Julio Grilo, superintendente do IBAMA em Minas Gerais.

A coordenadora da comissão de ética do CREA, Flávia Roxin, citou os princípios éticos que os futuros engenheiros devem ter como: objetivo, honradez e natureza da profissão, eficácia da profissão, relacionamento e intervenção profissional, liberdade e segurança profissional. “Se vocês descuidarem em algum momento na sua profissão em relação a esses princípios éticos, vocês correm o risco de sofrerem uma denúncia ao conselho e passarem por um processo ético que, com a minha experiência, não é boa não. Então, diferente da OAB, a comissão de ética do CREA é apenas instrutiva. Ela faz a instrução para as câmaras sobre o profissional denunciado. Ela não julga. O julgamento será feito na Câmara de sua modalidade”, disse.

Meio ambiente e barragens

O superintendente do IBAMA, Julio Grilo, falou sobre a fase como se forma uma barragem de rejeitos e mostrou, também em cada fase, aonde poderiam estar os problemas de ética, falta de informação e responsabilidade. “Começo pela escolha do método construtivo. Teríamos alternativas como a disposição do rejeito a seco. Mas se faz a escolha por barragens. É pelo menor custo. Nessa hora devemos nos questionar: ‘Poxa, é o menor custo. Mas se você tem um baita potencial de dano, em vidas, em ativos ambientais, esse é o processo de escolha? Se fizer uma análise ambiental do projeto, ele passaria? Não passaria. Porque se for colocar valor no potencial de dano não há nada que pague. Não é olhar a curto prazo. Se tem potencial de dano, tem-se que colocar o que seria o custo que esse dano traria para a sociedade e meio ambiente ao longo do tempo. Ela pode romper”, refletiu.

Vale e mineração

O presidente da ASSEMG, Coordenador da CEGM, Conselheiro e Membro da COTC do CREA-MG, João Augusto Hilário, falou sobre mineração e fiscalização. “Sabemos que a barragem é um dos pontos fracos. No rompimento da Barragem do Fundão o que me chamou atenção é: o que poderia ter acontecido em uma empresa que dispunha dos melhores profissionais, criadas pelas duas maiores empresas do mundo, que vinha trabalhando com critérios de segurança? O que aconteceu? Uma das razões, então, que já no CREA nos voltamos e tentamos entender, são as causas. Assim trabalhamos e usamos o conhecimento da mineração para reduzir possíveis riscos e verificar o que a engenharia pode fazer para que sejam minimizados”, conta.

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