ConstruTech Conference: EMGE se fez presente

No último 29 de março, realizou-se em São Paulo (SP), no Expocenter Norte, a ConstruTech Conference, onde se discutiu um pouco sobre o futuro da Engenharia Civil, do mercado imobiliário, das novas tecnologias voltadas à construção civil. A Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE) participou do evento com dois alunos do curso de Engenharia Civil: Gabriel Max, do 3º período, e Flávio Andrade, do 5º período, além do professor Cláudio Soares que os acompanhou.

O dia na ConstruTech foi altamente produtivo, com cerca de 16 palestras sobre os mais variados assuntos ligados à construção civil, mercado imobiliário, startups. Por exemplo, voltado à construção civil, a empresa Pauluzzi Blocos Cerâmicos apresentou uma inovação que utiliza a realidade aumentada, em que os clientes engenheiros podem visualizar em 3D o catálogo de blocos da empresa, em tamanho real e, inclusive, simular a construção de paredes com tais blocos diretamente no canteiro de obras.

A Startup ConstruCode apresentou uma solução que, em vez de levar para o canteiro de obras as plantas em papel, utiliza tablets com tais plantas digitalizadas. Dessa forma, qualquer alteração feita na planta fica imediatamente disponível para a equipe de campo, evitando o que ocorre hoje com plantas em papel nos canteiros de obras: desatualização, perda de plantas, deterioração, entre outros imprevistos. Isso evita atrasos na obra e garante a informação sempre atualizada.

Ainda voltado à construção civil, foi apresentada pela Startup Dragon a utilização de drones que, com imagens de alta qualidade, além de monitorar o desenvolvimento da obra, identifica possíveis problemas, controla o fluxo de material na obra, entre outras funcionalidades.

A ConstruTech apresentou também mudanças no mercado imobiliário que diretamente geram impactos à construção civil:  uma quebra de paradigma em que uma pessoa tem que trabalhar uma vida para comprar uma casa, quando ela pode morar ao longo da vida em vários imóveis, da forma que lhe melhor atender, sem ser dono de nenhuma. É uma revolução que ocorre nos dias de hoje, em que edifícios são construídos para receber hóspedes que não querem comprar o imóvel, mas utilizá-lo, com o conforto de encontrar seu apartamento já completamente mobiliado, com serviços de TV a cabo, internet e, quando precisar mudar, seja porque cansou daquele local ou que morar próximo do seu emprego, ou por outro motivo qualquer, simplesmente ele acessa a internet e escolhe um novo local para mudar, sem se preocupar com compras de móveis, eletrodomésticos, mudanças, etc. Enfim, edifícios sendo construídos para atender a uma geração que quer facilidade ao viver, que não precisa de garagem, pois não querem ter carros, tudo isso gera um impacto a médio e longo prazo para a construção civil.

E várias dessas inovações vêm sendo realizadas por startups, que buscam trazer inovações disruptivas, que, segundo o Dicionário Online da Língua Portuguesa, “acabam por interromper o seguimento normal de um processo”.

Na ConstruTech 2019 foi criada a Startup Village, um local onde cerca de 20 startups foram apresentar o que têm proposto para trazer inovação à área: sistemas de planejamento e orçamento de obras para microempresas (Startup Obra Prima), realidade aumentada para o cliente conhecer seu apartamento sem que ele ainda exista fisicamente, novas formas de financiamento para a construção, enfim, inovações para que a construção civil melhore sua produtividade, volte a construir, gerar empregos, mas com qualidade, com menos desperdícios, em menor tempo.

O evento dedicou ainda uma boa parte para trabalhar com os participantes acerca de empreendedorismo, buscando conseguir ‘anjos’ para as startups ali presentes.

Foi um evento muito interessante. A única crítica ao mesmo é que nas palestras e nos trabalhos apresentados, soluções voltadas para o canteiro de obras, para dar um salto na forma de construir no Brasil, não foram tão exploradas. E na plateia de cerca de 2.000 participantes, menos de 20 eram do setor da indústria da construção civil, isto é, pessoas que atuam diretamente no canteiro das obras.

Pode-se observar que a EMGE está alinhada à evolução do setor, não apenas por participar, mas ao constatar que muitos dos temas abordados nas palestras estão em sintonia com o que é apresentado em sala de aula, principalmente nas disciplinas Empreendedorismo e Inovação, Engenheiro no Mercado, Introdução à Engenharia Civil.

Enfim, em eventos desse porte podemos atestar a qualidade da proposta da EMGE para o Curso de Engenharia Civil e a certeza que temos que seguir por esse caminho, formando engenheiros comprometidos com a sustentabilidade, com a inovação dos processos, e preparados para o que o mercado exige.

Flávio Luiz Andrade – 5º Período