Trabalho interdisciplinar da EMGE

(Des)construindo Olhares

Por Lindon John, aluno do primeiro período de Engenharia Civil – EMGE.

Nos tornamos mais dos mesmos. Não olhamos para cima, para frente, para os lados. Aliás, olhamos, mas não vemos. Nos preocupamos com caminhos, trajetos, rotas, itinerário e não vemos mais as entrelinhas do nosso cotidiano. Não vemos o que a cidade diz, não vemos suas formas, suas vias, desvios, morros, periferia, seus textos, gravuras, grafites, gritos, mensagens, dizeres, não vemos mais a cidade, somente a trajetória. Vire à direita, à esquerda e depois siga reto. E assim nos comunicamos.

A cidade grita, mas não ouvimos porque não queremos. Ela grita em suas imagens, textos, fotos e becos… A cidade pede socorro a toda hora, mas nos acomodamos em nossa realidade. Nem sempre visível, mas plausível. Somos fruto novo de árvore antiga. Florescemos ao tardar do dia e não vemos mais o raiar do sol.

Mas é real, estamos cegos e atrasados. Todos os dias a cidade sofre um infarto por falta de planejamento ou por um projeto sem visão. Todos os afunilamentos em viadutos e vias de acesso causam esse infarto, literalmente. A cidade é um corpo humano e nossas vias são nossas veias e artérias, quando uma delas para, provocamos um infarto.

Resultado de imagem para The Painter's Family - 1926 - Giorgio de ChiricoThe Painter’s Family – 1926 – Giorgio de Chirico

 

Rua Sapucaí, nossa varanda, já pensou nisso? De lá vemos painéis, praças, viadutos, avenidas, ruas, vemos a cidade de uma perspectiva linda. E de lá, da varanda da cidade, surgiu este vídeo.

E após assistir ao vídeo, convido você a ver a cidade pela sua perspectiva. O que você vê quando sai do automático? Kafka diz: “Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece.”. Você consegue ver beleza na cidade? Mas só beleza ou consegue perceber que em torno da beleza há entrelinhas (sub)ju(l)gadas que não vemos porque estamos no automático?

O trabalho, proposto pela disciplina Leitura e Produção de Textos, tem como objetivo refletir sobre a cidade e a objetificação dos seres que a habitam, o que significa ver a cidade em suas entrelinhas, como um flâneur*, que caminha pelas ruas fora do automático. Convido você a fazer essa reflexão, a ver seu cotidiano com olhar mais amplo e a pensar criticamente a cidade na perspectiva humana do individual e do social. Afinal, não estamos todos inseridos na cidade da mesma forma, estamos? Pense nisso!

A cidade não é aquela do cartão postal, do vídeo institucional, da propaganda de TV. A cidade tem mais de um lado. Ela tem seu ponto nobre e sua periferia, ela tem seus muros dividindo classes, pessoas, patrões, trabalhadores…pense na cidade como um(a) engenheiro(a) sob a ótica da sustentabilidade. Como você a vê?

Essa reflexão dará origem ao segundo livro da EMGE. Livro este que irá revelar a poesia da cidade. E, desta vez, visando, além da inovação, à sustentabilidade como eixo direcionador da escola, o livro será digital. Convido a todos os alunos da EMGE a fazerem parte deste projeto com seus poemas e reflexões sobre a cidade. Rumo ao segundo livro!

O trabalho englobará também as disciplinas de Geometria descritiva, Arquitetura e urbanismo e Sociologia Urbana, que garantirão uma abordagem mais técnica sobre o tema.

Aguarde mais notícias!

* Charles Baudelaire define flâneur como: Uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la.