Hyperloop em Contagem: dia de fazer história

 

Inauguração do primeiro Centro de Inovação Logística Global, XO Square.

Por Gabriel Max
Aluno da EMGE

Na manhã nublada da última sexta-feira (6), uma mão cheia de calouros de Engenharia Civil da EMGE acordaram em rumar para Contagem, no intuito de presenciar um enigmático evento. O panfleto divulgado não arrancava suspiros, e pela discrição aparentava nem valer a viagem até o fim da linha metroviária – isso lhes foi transmitido na primeira leitura: deslumbrantemente equivocada.

Mais rápido que um estalo de dedos, a impressão inicial desmoronou, e deixou de ser um palpite arriscado considerar que o comparecimento ali valeu montes mais que o singelo desconto nas atividades complementares, que uma barriga farta ou ainda que algumas novas conexões no networking dos presentes.

A magnitude do evento a que os expectadores se dispuseram mergulhar era inescrutável e, para o deleite dos espectadores, aquele era dia de fazer história. O impacto desse marco disputou corrida acirrada com o próprio som, fez a terra tremer, e ainda assim, só promoveu instabilidade na forma com que os agraciados pelo anúncio enxergavam os belos horizontes ao redor.

A Hyperloop Transportation Technologies, como se usufruindo do poder de iluminar o futuro, desfez o tempo ameno trazendo luz do sol a pino, e em prol de seu anúncio, reuniu figuras prodigiosas tanto no que há de ponta da Engenharia atual, quanto na tecnologia disruptiva que repousa a um trilho de distância dos mineiros.

Nem com as expectativas mais distantes do chão aqueles ingênuos estudantes suspeitariam que a ficção científica se mesclaria com tanta potência à realidade, assim, tão rápido quanto um avião que vem por terra. E apesar dos inesperados planos em andamento para se instalar ao lado da capital, a concretização desse salto tecnológico gigantesco revoluciona o que há de inovação logística na América Latina e no mundo, e não se encontra no “logo ali”, do bom mineirês.

Esse empreendimento que trabalha para fazer de Minas Gerais o novo polo de tecnologia brasileiro, a fim de contrapor a expressiva migração de cérebros da ciência e profissionais altamente capacitados no ramo, foi anunciado por Bibop Gresta, o co-fundador e chairman, que firmou o compromisso da empresa durante seu afiado uso do “idioma local”.

O bem-humorado visitante italiano afirmou que “em outros lugares, chamaríamos o Hyperloop de cápsula, mas aqui em Minas, podemos chamar de trem”. Conhecedor do solo em que instala o “Super-Trem”, e falando pela empresa assegurou em seguida “não viemos só por causa do pão de queijo”. Enfim, reconheceu a competência desperdiçada em nossa terra, capaz de se tornar pioneira no que diz respeito à Ciência e Tecnologia em escala global, como uma iminente potência.

O meio de transporte evocado não apenas saiu do papel, mediante aos testes bem-sucedidos realizados num deserto estadunidense próximo a Las Vegas, como alcança até impressionantes 1220km/h — que se aproxima à velocidade com que o som viaja. Tal façanha só foi possível graças a levitação magnética auxiliada pelo vácuo artificial do tubo metálico. E, ainda mais inovador é a conquista do eixo sustentável, que, neste novo quinto meio de transporte, produz, e excede em 15% a própria energia consumida em seu funcionamento.

Com tal visão, a Hyperloop Academy acompanhou as instituições locais mais competentes, consolidando parcerias (como a própria EMGE) que decerto revelarão seus frutos em breve.

Finalmente, em “Eldorado” (agora, mais do que no estado: na estação de metrô), discernir entre alucinações e o que, literalmente, está em construção perante um projeto em que o visionário Elon Musk decidiu investir, foi um processo de compreensão deveras nebulosa e surreal. Mas, como prenunciado pela pichação no percurso dos estudantes citados ao longo do texto, “a revolução vive”; e bem ilustra a Anunciação de Alceu Valença, que há pouco visitou a terra do ouro: “tu vens, tu vens… Eu já escuto teus sinais”.